Se Desassosegue também

Ilheense Desassosegado é onde se publica escritos por mim e nossos membros (traduções e/ou artigos de outros sites da Web) apresentamos artigos, fotos e outros para leitura, publicação ou uso Copyleft.
Todos aqui podem ter o interesse de aprender mais, cooperativamente e coletivamente. Nosso objetivo não é ensinar ou de ser tutor, mas o intuito é melhorarmos coletivamente, assistindo-se mutuamente e medrarmos através de um fluxo constante de informações. Acreditamos que "Information want to be free" (a informação quer ser livre) e tornamos ela livre através do corpo-a-corpo comunicativo emergido a partir do jogo educativo de modificações, disecagens, ajustes e discussões.
Enfim, tentativas frutíferas para compreender a tecnologia à nossa volta e dar novos propositos para ela, bem como inserir-lá nas visões criativas individuais. Discutir abertamente qualquer coisa e tudo em nossos artigos, e secções. Não venham esperando um tutorial gratuito na suas áreas de interesse pessoal ou você vai ficar desapontado. Lembre-se, isto não é um restaurante com congeladores abarrotados de conhecimento para que você simplesmente puxe para fora algo pro seu menu livre, mas sim uma pequena clareira nessa selva, onde uma enorme quantidade de missionários-eletrônicos, libertadores, artesãos-combatentes e mulheres entrem para compartilhar, intercambiar e difundir essas informações.
E encontrar-se, livre e/ou modificado depois disso.
Nada mais.
Bem-vindos ...

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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ranking de sustentabilidade entre empresas de TI - Green Peace Maio 2010.

Saiu o ranking mensal d mês de Maio que o Green Peace divulga sobre sustentabilidade nas empresas de TI. A empresa lider neste seguimento é a Nokia seguida pela Sony-Ericsson, parabens as empresas finlandesas que retiraram de seus produtos compostos com brominatos, clorinatos retardadores de chamas, trioxido de antimônio, PFC, reciclam mais e emitem mesmo gases do efeito estufa do Philips, Motorola, Apple, Sony, HP, Panasonic . Também fazem rede de volutários para coletas, O ranking dá notas as empresas de 0 a 10 e pergunta qual empresa vai realmente alcançar a nota 10. Nas piores posições da lista estão a Nintendo e a Lenovo.

Veja no link abaixo a lista completa:
Ranking Maio de 2010 (em inglês)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre o livro - O Segredo de Luiza de Fernando Dolabela.

Comecei a ler o livro O Segredo de Luiza do Fernando Dolabela e me debarei com mais um paradigma Brasileiro. Sobre o empreender, o combate à miséria e distribuição de renda em terras tupiniquim. Como o próprio Fernado em seu blog diz: "o empreendedorismo não pode ser um instrumento de concentração de renda, de aumento de diferenças sociais ou uma estratégia pessoal de enriquecimento.", mas não é o que temos no nso país.
Quando terminar o livro faço outra reflexão de como esse livro me tocou e como o Brasil deveria usa-ló como referência pra um novo modelo empreendedor.
Abraços...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FILOSOFIA - Um Guia para a Felicidade.

Tinha assitido esta série aos pedaços e agora graças ao YouTube conseguir reassisti e aconselho a todos assitir.
Na Antiga Grécia ou em Roma, os filósofos eram vistos como autoridades sobre as questões mais prementes. No entanto, desde então, a idéia de encontrar sabedoria pela filosofia chegou a parecer bizarra. Adentre em um departamento universitário de hoje e peça para estudar sabedoria, e será educadamente convidado a se retirar. Aqui a filosofia não é irrelevante e reúne seis grandes filósofos que estavam convencidos do poder da visão filosófica de trabalhar um efeito prático sobre as nossas vidas:
Esta série de vídeos são apresentados da seguinte forma.
01 - Sócrates e a Autoconfiança
02 - Epicuro e a Felicidade
03 - Sêneca e a Ira
04 - Montaigne e a Auto Estima
05 - Schopenhauer e o Amor
06 - Nietzsche e as dificuldades
07 - A arquitetura da felicidade

SÓCRATES, EPICURO, SÊNECA, MONTAIGNE, SCHOPENHAUER e NIETZSCHE são descritos e compreendidos à luz dos seus trabalhos, que podem brilhar em grandes problemas universais, entre eles, a impopularidade, a pobreza, a inadequação, o ódio e timidez. Os vídeos se propõem a serem guias para a sabedoria, bem como para a utilidade prática da filosofia. Produzido e apresentado por ALAIN DE BOTTON, escritor suíço, poliglota, Mestre em Filosofia pelo King's College de Londres, iniciou doutorado em Filosofia Francesa na Universidade de Harvard, tendo desistido do mesmo para continuar sua carreira de escritor.
Siga o link abaixo e assita essa série sobre filosofia.
FILOSOFIA - Um Guia para a Felicidade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ricos gastam em 3 dias o que pobres levam 1 ano.

No Brasil, segundo o Ipea o que uma família pobre gasta em um ano é o mesmo gasto por uma rica - que representam 1% da população - em três dias. A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que divulgou nesta quinta-feira uma análise com base nos dados apresentados na última semana pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) relativa ao ano de 2008.

"Apesar de estar registrando desde 2001 queda da desigualdade social num ritmo realmente bom, o Brasil ainda é um monumento à desigualdade. Aqui, uma família considerada pobre leva um ano para gastar o mesmo que o 1% mais rico gasta em apenas três dias", informa o pesquisador do Ipea, Sergei Soares.

Para medir o índice de desigualdade do País, o Ipea adotou o chamado coeficiente de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um for esse coeficiente, menos justa é a distribuição de renda da sociedade. Em 2001, o índice no Brasil estava em 0,594. Desde então, vem caindo ano a ano, e chegou a 0,544 em 2008.

Soares explica que mantendo essa tendência recente de redução da desigualdade, que em média foi de 0,007 ao ano, "o Brasil levará 20 anos para chegar a um patamar que pode ser considerado justo". Segundo ele, isso corresponde a um índice de 0,40 no coeficiente de Gini.

O pesquisador sugere que o governo "continue fazendo mais do mesmo", estimulando programas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo, e invista em educação e estimule a formalidade no mercado de trabalho.

"Para acelerar esse processo é necessário que façamos mais do que apenas olhar as coisas positivas que têm sido feitas. O indicado é que o País atue de forma a melhorar o sistema educacional e a reduzir a informalidade", afirmou. "E, claro, isso envolve também medidas que objetivem também a redução da desigualdade racial e regional."

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O mito das baterias ou Benchmarking total.

Você já parou para pensar porque a bateria de seu notebook acaba antes do tempo indicado pelo fabricante? David Pogue desvenda este mistério.

David Pogue do New York Times

Esta é uma história sobre verdade, ganância e o "jeito americano". Ah, e também sobre testes de duração de bateria em notebooks.
Há duas coisas a saber sobre esta útima questão: a primeira é que os resultados geralmente tem pouca relação com a realidade. Não sei quanto a você, mas a bateria de "cinco horas" no meu notebook geralmente morre em cerca de três horas.
A segunda é que os anúncios de notebooks abusam da ferramenta essencial de qualquer vendedor: o "até". Como em "até cinco horas". O "até" é uma das maiores desculpas esfarrapadas em qualquer idioma. Sabe de uma coisa? Eu tenho um notebook que funciona por "até" 1.000 horas com uma carga de bateria! Isso porque o "até" significa, na prática, "qualquer coisa abaixo deste número".
Mas e daí? Porque implicar com os fabricantes de notebooks? Todos os setores da indústria fazem isso certo? Errado!
Em 2003, a indústria de câmeras fotográficas digitais sofria do mesmo problema. Todas as empresas anunciavam a autonomia de bateria de suas câmeras em termos exagerados. Cada uma tinha seu próprio protocolo de testes, e nenhum deles representava a vida real. Logo, os consumidores notaram que os números divulgados eram praticamente inúteis.

No final das contas, a CIPA (Camera and Imaging Products Association), um grupo que reúne os principais membros da indústria de câmeras, entrou em ação e desenvolveu um teste de duração de bateria padronizado. Tira-se uma foto a cada 30 segundos - alternando uma com flash, uma sem flash. Antes de cada foto, coloca-se o zoom no máximo, depois no mínimo. A tela fica ligada o tempo todo. Depois de 10 fotos, a câmera é desligada por algum tempo. E por aí vai.
Em outras palavras, a câmera é testada da mesma forma como as pessoas a usariam no mundo real, talvez de forma um pouco mais conservadora. Hoje em dia, todas as câmeras são testadas, e anunciadas, desta forma. E os números da CIPA agora correspondem à realidade.
Mas os notebooks são mais complicados, não? Há muitos outros fatores que determinam a autonomia da bateria: o que você está fazendo, qual o tamanho da tela, quais interfaces sem fio estão ligadas, e por aí vai. Ainda assim, outras indústrias enfrentam problemas similares. Celulares, por exemplo: a bateria acaba muito mais rápido quando você está fazendo chamadas do que quando ele está no seu bolso. Carros: a autonomia é maior na estrada do que na cidade. Até mesmo iPods: eles funcionam por mais tempo quando estão tocando música do que com vídeo.
Então os fabricantes fazem a única coisa lógica - informam os números no pior e no melhor caso. Quando você compra um celular, vê "4 horas de conversação / 300 horas em espera". Quando compra um carro, vê "11 Km/litro na cidade, 13 Km/litro na estrada". E quando escolhe um iPod, vê "24 horas de música/6 horas de vídeo".E todo mundo fica feliz.
Mas com notebooks, o que nós vemos? "Até cinco horas".
Isso é importante, porque a autonomia de bateria se tornou um item importante a considerar na hora da compra. As pessoas estão finalmente esquecendo o "mito dos megahertz" (aleluia!), e considerando a duração da bateria como um fator crucial.
Porque a indústria dos computadores não inventa um teste padrão de autonomia de bateria? Na verdade, eles já inventaram. Estes números de "até" tantas horas são os resultados de um conjunto de testes chamado MobileMark 2007. Mas há alguns problemas com ele. O primeiro é a identidade de seu inventor, a Bapco (Business Application Performance Corp.), um grupo de empresas liderado pela Intel e composto principalmente por fabricantes de chips e máquinas, inclusive de notebooks.
Vejamos: um teste desenvolvido pelas mesmas empresas que irão lucrar se a autonomia de bateria parecer boa. Isso não é a mesma coisa que colocar as raposas como fiscais dos galinheiros? Outro problema: ao contrário dos testes de câmeras da CIPA, o protocolo de testes do MobileMark não reflete as condições de uso real. Considere, por exemplo, a tela. Ela é o componente que consome mais energia em um notebook, portanto definir corretamente seu brilho durante o teste é extremamente importante.
Pois bem, o MobileMark especifica que a tela deve ser ajustada para um brilho de 60 nits (uma medida de luminosidade). Sem querer ser chato, mas no brilho máximo a tela de um notebook moderno chega a 250 ou 300 nits. Trocando em miúdos, o MobileMark pede que a tela seja ajustada para uma fração de seu brilho total - algo que poucas pessoas fazem no mundo real. A AMD, uma fabricante de processadores, diz que 60 nits é 20% do brilho máximo na maioria dos notebooks. A Intel diz que equivale a 50%. De qualquer forma, ainda é muito pouco.
Além disso, o MobileMark não especifica se recursos que consomem muita bateria, como Wi-Fi e Bluetooth, devem estar ligados ou não durante o teste. A decisão fica por conta dos fabricantes quando testam suas próprias máquinas. Hmm... adivinhe o que eles fazem?
Por fim, há os testes propriamente ditos, que na verdade são três. O primeiro é o teste de DVD, onde um filme padrão toca em repetição até a bateria acabar. É um cenário de "pior caso", com a menor autonomia.
No teste de produtividade, um software automatizado faz tarefas típicas do dia-a-dia como calcular planilhas do Excel, manipular imagens no Photoshop e mandar e-mail. Este deveria ser o teste mais realista - com a exceção de que ele não inclui nenhum uso de navegadores web, media players, streaming de vídeo ou jogos. Ops!
No teste final, o de leitura, um script automatizado simula a leitura de um documento, pausando por dois minutos em cada página. Este é claramente um cenário de "melhor caso". Na verdade, não é muito diferente de deixar o notebook ligado sozinho.
E qual destes testes é reportado nos anúncios? A Intel diz que é o teste de produtividade. Mas porque não nos mostram todos os três resultados?
Tudo isto nos leva à AMD, que passou várias semanas blogando sobre o assunto e o trouxe à atenção de repórteres de tecnologia como eu. A empresa acredita que a indústria deveria adotar um teste muito mais realista para a autonomia de bateria dos notebooks - e representar os resultados de forma parecida com o que é feito com os celulares, iPods e carros. Ela propõe um novo logotipo que mostre claramente os números no melhor e pior caso. A caixa de seu próximo notebook poderá dizer "2:30 horas em uso / 4:00 horas em repouso".
A idéia parece absurdamente óbvia para qualquer um que a ouve. E ainda assim, de forma previsível, a AMD relata que tem encontrado "resistência considerável" dos outros grandes fabricantes. A Intel, arqui-rival da AMD, parece especialmente incomodada com todo este barulho. Um porta-voz, Bill Kircos, diz que o MobileMark é um teste "bem pensado, bem debatido e bastante sólido". Além disso, se um consumidor não gostar dele, "há uma miríade de testes independentes, reviews, artigos em revistas e informações fornecidas pelas próprias empresas que as pessoas podem usar para descobrir mais sobre a autonomia de bateria, além do já citado MobileMark".
Espera aí - os consumidores devem compensar as falhas do MobileMark gastando horas procurando por testes realistas de bateria na internet? Não seria mais prático, para todos, ter um único teste confiável? É assim que as indústrias de telefonia celular, automotiva e de eletrônicos de consumo fazem. Porque os fabricantes de computadores não podem fazer igual?
Essa é fácil: porque há muito dinheiro em jogo. As pessoas pagam mais quando acham que estão comprando uma máquina com autonomia de bateria maior. Ao iludir o público com números inúteis, as lojas e fabricantes ganham mais dinheiro. Não me espanta que os mais cínicos chamem a prática de "benchmarketing".
O porta-voz da Intel me disse que a AMD ainda não propõs uma nova metodologia de testes de bateria para a Bapco, da qual a AMD também é membro. A AMD responde que isso não é necessariamente verdade: "Todas as discussões da Bapco são confidenciais. Se a Bapco estiver disposta a abrir mão da confidencialidade ou tornar as atas de suas reuniões públicas, a AMD ficará feliz em discutir o que foi ou não foi apresentado à Bapco".
Está óbvio o motivo pelo qual a Intel quer manter o "status quo". Mas qual seria o motivo por trás da decisão da AMD de sacudir este ninho de vespas? De acordo com testes feitos pela Laptop Magazine e outras publicações, notebooks equipados com processadores AMD tem, no geral, autonomia de bateria menor que modelos com processadores Intel. Mas em testes mais realistas, esta diferença se reduz consideravelmente.
Portanto, todo mundo tem um interesse neste jogo. Mas como consumidor, o seu deveria ser o apoio à campanha da AMD. É lógica, é justa - e já não era sem tempo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O deslocamento da libido para o social e a mídia

Entre as mudanças ocorridas nas famílias a partir dos anos 60 está a perda do seu poder regulador, da privacidade do casal e uma hipótese preocupante: a mídia passa a ter função de juízo crítico.

Por Rubens Zaidan

O telefone da Redação de uma emissora de tevê toca insistentemente. Do outro lado, uma voz ansiosa.

"É o seguinte: tem um vizinho ameaçando a minha família. Ele bebe muito, não gosta do barulho das crianças. Discutimos várias vezes e agora ele ameaça invadir minha casa. Vocês podem mandar uma equipe pra cá?"

O jornalista, surpreso, dividindo a atenção entre a conversa e o texto incompleto, teve calma suficiente para perguntar:

- Você chamou a polícia?

- Polícia?! Não, ainda não!

- A gente só faz reportagem e registra o que está acontecendo. E se ainda você corre perigo de sofrer uma agressão, tem que chamar a polícia.

O diálogo, rigorosamente verdadeiro, é mais um pequeno exemplo da importância da mídia, no dia–a–dia das pessoas. Batendo na mesma tecla, mas em outro tom, é importante refletir sobre o papel e a função dos veículos de circulação e comunicação de massa.

E para cada um de nós, como fica a função da mídia dentro de nossas cabeças? Até que ponto mexe com a nossa privacidade? Com as referências familiares e sociais?
O que se sabe é que todo dia estamos "respondendo" de alguma forma aos estímulos, propostas e "ordens" dessa indústria cultural " especialmente a tevê " que nos induz a adotar um novo bordão (lembra dos bordões que Jô Soares e Chico Anysio criaram ao longo dos anos?) ou utilizar um tipo de roupa, de carro. Sem contar, os modismos criados pelas telenovelas, que se infiltram subliminarmente no inconsciente. Basta observar como as tramas da novela das oito da Globo acabam sendo referência para pessoas que vivem problemas semelhantes aos dos protagonistas.

Novela com muita separação de casais, por exemplo, é batata. Logo, logo, uma porção de gente acaba indo pelo mesmo caminho. Quantos divórcios ou desquites, não teria provocado na época "Malu Mulher", por exemplo, que escancarou a justa bandeira dos direitos femininos? Daí a tentativa (não aceitável) de controle político do veículo por todos os governos por causa da eficiência do sistema audiovisual.

Já pensou usá–lo para fazer uma "revolução cultural" no País, com programas educacionais? Quem gosta desse assunto, não pode deixar de ver o filme "Boa Noite, Boa Sorte", dirigido pelo ator George Clooney, que mostra a importância de uma equipe de jornalistas da CBS, liderados pelo âncora Ed Murrow, na luta contra o famigerado senador Joseph McCarthy, que via comunistas em todo lugar.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, "que durante décadas implantou a Rede Globo e criou o exaustivamente copiado 'padrão Globo de qualidade'", é um dos poucos homens de mídia que sabia exatamente o que estava fazendo: "condicionando" platéias e cativando audiências.

Plim…Plim… associa a imagem da Globo, com som marcante, cores quentes, tal qual um Pavlov moderno, que se socorreu em Skinner também (conscientemente), para gerar comportamentos desejados. A emissora sempre procurou cumprir o que prometia para não frustrar o telespectador. Prometia um presentinho e sempre dava para criar hábito e dependência. O telespectador, é bom lembrar, é bombardeado também pelos técnicos de publicidade, que associam os produtos em promoção nos comerciais a imagens prazerosas (comida, sexo, belas paisagens) para aumentar o consumo.

Vance Packard, no clássico, "Arte de Convencer", explica como é possível a pessoa comprar um refrigerante ou uma marca de cerveja induzido, inconscientemente, pela carência de carinho, sexo ou poder. Atualmente, a publicidade vende também a inclusão social e os segundos de celebridade.

O próprio Boni acreditava que os modismos criados pela TV eram temporários e não ameaçavam a "integridade" dos telespectadores. Será?

A coisa se complica quando a gente aprofunda um pouco mais o papo e verifica que a mídia tem tudo para ocupar um dos conceitos que a Psicanálise chamou de "constelação familiar". A TV pode tomar o lugar, na mente das pessoas, do pai, mãe ou parentes íntimos?

Teses de especialistas mostram que entre as mudanças ocorridas nas famílias a partir dos anos 60 está a perda do seu poder regulador, da privacidade do casal e o que é mais preocupante: há uma hipótese de que a mídia passa a ter função de juízo crítico.

E por aí vai: nos anos 70 a publicação da intimidade familiar e de lá para frente, veio a publicação da vida íntima, privada e particular. É uma coisa complicada, para especialistas que acreditam no deslocamento da libido para o social e os meios de comunicação… Com a chegada da internet então, surge mais uma tecnologia a se apropriar das atividades imaginárias.

Da próxima vez que assistir TV, mexer no computador, desconfiar de uma manchete esquisita, não se esqueça, portanto, de que nem tudo é o que parece. Principalmente no mundo encantado das mídias.